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O Papado é o “Anticristo?”


Abaixo estão as respostas para as afirmações mais comuns dos adventistas acerca do “Anticristo”.

1. Adventistas chamam o papado de “o Anticristo”. Isso é correto? (leia mais)

2. Até aonde o papado (alegadamente) está “contra”ou “no lugar de” Cristo, este merece ser chamado de “Anticristo”. (leia mais)

3. João fala de “muitos anticristos” (1 S Jo 2:17). O papado não poderia ser um deles? (leia mais)

4. 4. João menciona que “o Anticristo está vindo”. Parece que não deveríamos confundir a vinda do Anticristo (o papado) com os “anticristos” comtemporâneos (e seus ensinamentos) que João condena. (leia mais)


1. Adventistas chamam o papado de “o Anticristo”. Isso é correto?

Não, a Igreja Católica enfaticamente não é “o Anticristo”. O termo “anticristo” ocorre somente em três textos na Bíblia, todos situados nas epístolas de João. Esses textos revelam exatamente o que o “Anticristo”ensina:

Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo. (1 Jo 4:2-3)
O contraste em 4:2 sugere que aquele “que não proclamar Jesus” precisamente por não proclamar que “Jesus Cristo se encarnou”. O Anticristo vindouro “nega o Filho”, por negar Sua encarnação em uma natureza humana: 
Muitos sedutores têm saído pelo mundo afora, os quais não proclamam Jesus Cristo que se encarnou. Quem assim proclama é o sedutor e o Anticristo. (2 Jo 1:7)  
O “Anticristo”também “nega o Filho”ao clamar que Jesus não é o Cristo (o Messias):
Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho. (1 Jo 2:22).
Estas marcas identificadoras da vinda do Anticristo se encaixam no papado? Não. O papado confessa ativamente que Jesus é o Cristo, e que Ele assumiu a forma humana. Em nenhuma época o papado ensinou algo diferente disso.

O antigo credo batismal da Igreja Romana requeria que os convertidos reconhecessem que “Cristo Jesus, (Deus) único Filho “nasceu” da “Virgem Maria”. Essa declaração de fé, datada do segundo século, desenvolvida no Credo dos Apóstolos, é recitada pelos católicos até os dias de hoje. O Credo Niceno, recitado todos os domingos na Missa Católica, confessa “Jesus Cristo...o Filho de Deus””que por nós homens, e por nossa salvação, desceu dos céus e foi concebido pela Virgem Maria através do Espírito Santo, e feito homem”. Mais adiante o Papa defendeu a verdadeira natureza humana de Cristo nos concílios de Éfeso, Calcedônia, II e III de Constantinopla, II de Nicéa, IV de Latrea. No concílio de Florença o Papa Eugênio IV fez a seguinte confissão “para arquivo eterno”: 
A Santa Igreja Romana....crê firmemente, professa e prega que...para a salvação da raça humana, (o Filho de Deus) tomou real e completa natureza humana do útero imaculado da Virgem Maria...e crê firmemente, professa e prega que o Filho de Deus foi verdadeiramente nascido da Virgem em Sua forma humana assumida, que sofreu verdadeiramente, que morreu verdadeiramente e foi enterrado, e que verdadeiramente ressucitou dos mortos...e a Igreja anatematiza, execra e condena qualquer heresia que ataque com o contrário...e anatematiza (aqueles) que, imaginando que o Filho de Deus não tomou para si mesmo um corpo real....completamente rejeitando a verdadeira natureza humana em Cristo. (“Bula da União com Coptas”.)
Podem cristãos identificar uma instituição que têm, por 2 mil anos, condenado “aqueles que não confessam que Jesus Cristo se fez carne”(i.e., “o Anticristo”, 2 S. Jo1:7) como “o Anticristo”? As epístolas Joaninas identificam estes ensinamentos como doutrina essencial da “vinda”do “Anticristo” (1 S.Jo 4:2-3); como então poderia alguém acreditar que o Anticristo por vir iria afirmar o oposto? Mais ainda, João declara que “o Anticristo, de quem vocês ouviram que está por vir...já está neste mundo,”ensinado estas idéias (1 S.Jo 2:3); como poderia o Anticristo se manifestar em uma instituição comtemporária que resistiu àquelas idéias? Nas palavras de Jesus, “como pode Satã expulsar Satã?” (S.Mc 3:24)

De acordo com João, “todo espírito que confessar que Jesus Cristo se fez carne é de Deus (1 S. Jo 4:2). Então, se o “espírito”da Igreja Romana “é de Deus”, como evidenciados nos últimos vinte séculos de ensinamento que “Jesus Cristo se fez carne”, por que então, adventistas tentar denegri-la?




2. Até aonde o papado (alegadamente) está “contra”ou “no lugar de” Cristo, este merece ser chamado de “Anticristo”.

A Questão fundamental é: nós vamos permitir que a Bíblia nos ensine a quem chamar de “Anticristo”ou vamos decidir nós mesmos? Mesmo que o papado fosse oposto à Cristo, ninguém poderia chamar o papado de “o Anticristo da profecia bíblica”( assim como os adventistas chamam), exatamente porque o único “Anticristo” mencionado na profecia da Bíblia é identificado em 1 S. João 2.22; 4.3; 2 S.João 1.7, e suas características não se encaixam com as do papado. E nem o papado merece ser chamado de “um anticristo”(isso é, um dentre muitos), visto que ele não se encaixa nas características descritas de um deles (1 S. Jo 2:18; e ainda lembremos que, o papado não é simplesmente “um anticristo” entre os adventistas; ele é “o Anticristo”. ) Em todo o caso, o termo “um anticristo”é suspeito com “o Anticristo”em 1 S. Jo 2:22; 2S.Jo 1:7.

Ninguém pode clamar que o pequeno chifre de Dan.7 ou a primeira besta do Apoc. 13 são “o Anticristo”. A Bíblia não identifica explicitamente nenhuma dessas entidades como “o Anticristo”, nem determina nelas nenhuma característica predicada do “Anticristo” em 1, 2 S. Jo. Eu acho triste e frustrante que adventistas, quando confrontados com estes fatos, continuem insistindo em se referir à essas entidades (ou mais diretamente, ao papado), como “o Anticristo”. Eles não possuem base bíblica para fazer essa identificação, eles só tem apenas uma tradição (errada).




3. João fala de “muitos anticristos” (1 S Jo 2:17). O papado não poderia ser um deles?

Sim, João fala de “muitos anticristos”, mas ele também explica como alguém pode identificar esses “anticristos”e o “espírito do Anticristo”aonde quer que ele se manifeste (1 S. Jo 4:2-3; 2:22-23). Quem quer que ensine a doutrina do Anticristo é “enganador e o Anticristo”, segundo 2. S. Jo 1:7. Entretanto, como observamos anteriormente, a Igreja Católica não nega que Jesus é o Cristo, ou que Jesus assumiu natureza humana por nós. Portanto, a Igreja não se encaixa nas características do “Anticristo”, do “espírito do anticristo”ou dos “muitos anticristos” dos quais João fala.




4. João menciona que “o Anticristo está vindo”. Parece que não deveríamos confundir a vinda do Anticristo (o papado) com os “anticristos” comtemporâneos (e seus ensinamentos) que João condena.

Primeiramente, o texto não antecipa um Anticristo ainda por vir. Em 1 S.Jo 2:18, João nos lembra que eles ouviram falar de um Anticristo “vindouro”, e adiciona, “até agora muitos anticristos já vieram”. Isso é, as expectativas deles foram realizadas. A construção da frase “e tantos como (kathos)...assim (kai) agora...”aparece em outro lugar na literaura Joanina para denotar estados ou ações realizadas seguindo um padrão: “assim como o Pai me amou, assim Eu vos amo”(S. Jo 15:9); “assim como o Pai me enviou, assim Eu vos envio”(20:21).

“O Anticristo”não é mais aquela figura antecipada em João, mas sim uma figura já aqui presente”. “Todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus. E esse é o espírito do Anticristo, do qual vocês ouviram falar que estaria vindo; e que agora já está no mundo”(1S. Jo 4:3; note a força nas palavras “agora” e “já”). O Anticristo se manifesta em qualquer um que ensina as suas doutrinas: “aqueles que não confessam que Jesus Cristo se fez carne; qualquer pessoa assim é enganadora e o anticristo!” (2 S. Jo 1:7; note a aplicação do artigo definido; eles não são meramente “anticristos” mas “o Anticristo”). “O Anticristo”é um movimento, não apenas uma figura ( e ainda, de alguma forma, minha última postagem foi criticada por ter uma visão muito “restrita”do Anticristo).

Também é importante notar que não há future “vinda”nas Epístolas de João. João considera o levante do “Anticristo”como uma confirmação de que esta é a “última hora”(1 S. Jo 2:18).
Tem sido sugerido que estes Anticristos significam pelo autor como precursores do grande Anticristo que ainda está por vir... A idéia é refutada pelo uso do Anticristo como um sinal da última hora, pois ele não pensa neles como precrusores. (Brown, Raymond E., The Epistles of John, The Anchor Bible 30, ed. W.F. Alrbight and D. N. Freedman (Garden City, NY: Doubleday, 1982), 337.)
Na luz desses detalhes, eu não creio que as Epístolas de João antecipam outro Anticristo.

Apesar disso, mesmo que o texto antecipasse um “Anticristo” por excelência para vir, idéia na qual os adventistas se baseiam para identificar essa figura com uma entidade que se opôs aos ensinamentos pelos quais João define “o espírito do Anticristo”e “o Anticristo”(cf. 1 S. Jo 4:3; 2 S. Jo1:7)? A sabedoria de Jesus é simples e se aplica aqui: “como Satã pode expulsar Satã?” (S. Mc 3:23). Em que base textual poderíamos crer que “o Anticristo” previsto nessas Epístolas condenaria os ensinamentos do “Anticristo” identificado nessas Epístolas? Outra vez, em que base textual (deixe de lado a lógica!) podería isso ser declarado? E como essa declaração poderia ser feita sem contradizer 1 S. Jo 4:3 “todo espírito que confessa que Jesus Cristo se fez carne é de Deus”?




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